Francisco quis uma boneca de Natal

Notícia publicada em 10 janeiro, 2017

Estou querendo fazer esse post desde novembro, mas estava esperando as festas de final de ano para concluí-lo.

Como o título mesmo já diz, Francisco pediu uma boneca de Natal. Só uma boneca não, na verdade ele pediu na cartinha do Papai Noel, entre outras coisas, uma boneca e um carrinho de boneca.

Quando estávamos escrevendo a cartinha e ele pediu para colocar isso eu falei: Filho, boneca é coisa de menina. Ele me respondeu: Por que mamãe? Menino não pode ter uma boneca?

E de fato eu pensei quão idiota foi minha resposta para ele. Resolvi não questionar mais e colocamos o pedido a carta. Todas as vezes que alguém perguntava para ele o que ele tinha pedido, ele respondia: uma boneca e um carrinho de boneca. As pessoas ficavam sem graça, eu ignorava e assim me dei conta de fato, como somos ignorantes e preconceituoso.

E daí se ele quer uma boneca? Quantas meninas não querem um carrinho, uma bola. Quem estipulou essa divisão de brinquedos. Reclamamos tanto de preconceito e criamos os nossos filhos para serem preconceituoso?

Um simples pedido, uma simples carta de Natal me fez pensar em tantas coisas. Eu refletia ele abrindo os presentes no Natal e o julgamento das pessoas ao verem que ele havia ganhado uma boneca, ao mesmo tempo, não achava justo eu deixar de dar o que ele queria em razão do preconceito dos outros.

Ele tem 3 anos. Não tem idade para nenhum tipo de desenvolvimento sexual, e ainda que tivesse, cuidar de um “bebê” determina se você é gay ou não? E ainda que determinasse, qual o problema se ele for gay?

Achei uma matéria bem legal sobre o assunto e quis dividir com vocês:

Pense nas mudanças que a sociedade passou nos últimos 30 anos. As mulheres invadiram o mercado de trabalho. Há cada vez mais casos em que a mãe trabalha e o pai fica com os filhos. Essas transformações chegaram às brincadeiras também. “Elas são como pontes para a realidade.

Por isso, quando a criança troca de papel, treina como lidar com relações diferentes e emoções, tanto dela mesma como das outras pessoas”, diz a educadora Ivani Magalhães, coordenadora da brinquedoteca do Projeto de Extensão do Centro Universitário Ítalo-Brasileiro.

Essa “troca” não influencia a sexualidade. Meninos não vão assumir papel de meninas e vice-versa. “Pense nas brincadeiras com as profissões como exemplo. Seu filho vai brincar de médico, professor, veterinário, secretário etc. Isso não significa que ele vá se decidir por uma dessas carreiras quando crescer”, diz Ivani.

A escolha por brincadeiras femininas não representa que os meninos serão homossexuais no futuro. “Porque eles também têm hormônios femininos, em menor proporção, que fazem deles um ser mais compreensivo. Brincar de boneca para um menino é diferente de brincar de boneca para uma menina”, explica. a Psicóloga Regina Elia.

Na opinião da psicóloga, todas as brincadeiras até os seis anos de idade, aproximadamente, são para ambos os sexos. É nessa fase que elas estão descobrindo o mundo através da brincadeira e como funciona o comportamento dos adultos. “É natural que eles queiram se sentir no papel do sexo oposto algumas vezes”.

Em alguns casos, a troca é até indicada. Regina diz que as brincadeiras ditas “femininas” para os meninos auxiliam em alguns conflitos, como rivalidade entre irmãos ou discussões entre os pais.

“Tudo isso pode ser resolvido nas brincadeiras de casinhas e bonecas. Isso não tem a ver com homossexualidade, mas sim com resolução de desavenças. O inverso serve para as meninas, que precisam algumas vezes de armas e lutas para descarregar sua raiva e agressividade”.

Estimular seu filho a brincar com vários tipos de brinquedos dá a ele a chance de desenvolver habilidades que vão ser importantes para o futuro, desde a difícil escolha da profissão até aprender a lidar com as pessoas. Vai perder essa chance? 

Entre os pedidos dele, ele quis além de uma boneca e um carrinho de boneca, uma Ladybug e um Cat Noir (esses da foto do post). Para quem não sabe, esses são personagens de um desenho que chama Miráculos. No caso, Ladybug também é uma boneca e grande. E foi o que o Papai Noel trouxe. Uma Ladybug!! Depois também acabei dando o Cat Noir para fazer um par com a Ladybug, mas enfim, juntei o útil ao agradável e dei a ladybug em vez de uma boneca tradicional e um carrinho de boneca.

Ele amou, ficou muito feliz e eu também. Não houveram olhares preconceituosos e se alguém pensou em alguma coisa, também não me importa.

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